A agrofloresta ou sistema agroflorestal (SAF), é uma maneira sustentável de utilizar a terra, que imita a natureza e resgata a forma ancestral de cultivo, trabalhando a favor do planeta e não contra ele.

As SAF’s restauram florestas e recuperam áreas degradadas, mas além de contribuir para a preservação do meio ambiente, podem oferecer produtos florestais, espécies frutíferas, hortaliças e leguminosas orgânicas para a incrementação de renda das comunidades agrícolas, sendo uma alternativa sustentável para a agricultura.

Os sistemas agroflorestais combinam em um mesmo local variados tipos de plantas, mas essas plantas não são escolhidas aleatoriamente! Ao contrário disso, ao decidir cultivar uma agrofloresta, um estudo que predetermina o local de cada planta deve ser feito, de maneira que haja interação positiva entre elas. Desse modo, o sistema fica mais forte e resistente a pragas e doenças, dispensando assim o uso de venenos, toxinas e dos famosos agrotóxicos!

 

Os SAF’s, como já falamos acima, tentam reproduzir os processos naturais de uma floresta, porém de forma acelerada, visando suprir as necessidades humanas. Um dos principais fatores desse princípio é a ciclagem de nutrientes, onde todos os resíduos resultantes de cortes, abates ou podas dentro das agroflorestas, são cortados ou triturados para acelerar a decomposição, e utilizados como adubo e nutrientes para o sistema.

 Revolução Verde

E você, conhece a Revolução Verde? Aconteceu logo após a Segunda Guerra Mundial durante a Guerra Fria e foi responsável pela ampliação e revolução agrícola nos países subdesenvolvidos. A revolução foi promovida pelos Estados Unidos e a ONU, com o pressuposto de acabar com a fome no mundo. Mas na verdade, tudo não se passava de um plano dos EUA e seus aliados para evitar focos de insatisfação e influência socialista nas nações, criando uma independência ainda maior dos países subdesenvolvidos, que futuramente teriam que importar insumos, maquinário e capacitação técnica do primeiro mundo.

 

 

Apesar de saber que tudo não se passava de uma luta por poder, a Revolução Verde gerou um aumento na produtividade de alimentos, assim como a modernização das práticas agrícolas (adubos, sementes selecionadas e transgênicas, inseticidas, irrigação, monocultura e mecanização). Acontece que a revolução não resolveu o problema da fome e trouxe inúmeros impactos ambientais e sociais negativos. Vamos usar o Brasil como exemplo: entre 1970 e 1985, o aumento na produção de alimentos básicos para a população foi de 20%, enquanto a de produtos para exportação (cacau, soja) cresceu em 1.112%.

Os pequenos agricultores que não conseguiram se adaptar aos novos processos de produção, também sofreram com a revolução, não obtendo um alcance de produtividade suficiente para manter a atividade agrícola. Muitos acabaram se endividando em financiamentos bancários de tal modo que a venda da propriedade foi a única maneira de quitar os débitos.

Mas uma das piores consequências da Revolução Verde foram os inestimáveis impactos ambientais causados por ela, como a contaminação de alimentos, poluição de águas, desertificação do solo, desmatamento, surgimento de pragas cada vez mais resistentes a insumos químicos e redução ou total desaparecimento das variedades de cultivo, estabelecendo essa maneira de plantio, e seus impactos, como a principal até os dias de hoje.

Na Revolução Verde os mercados agrícolas foram expandidos como verdadeiras corporações - agronegócios; houve um grande endividamento dos agricultores, foi iniciada a criação em massa de plantas modificadas geneticamente, se estabeleceu o uso desordenado de agrotóxicos, e com tudo isso, um enorme impacto ambiental.

 

 Agrofloresta vs Monocultura

Ao passar do tempo, os impactos ambientais ficaram cada vez mais evidentes, surgindo a maior preocupação e busca por uma alternativa sustentável de plantio. Foi nesse momento que a bandeira da produção natural, ancestral e orgânica, começou a ser levantada, tendo a agrofloresta como a melhor escolha.

E você, sabe o que é a monocultura? É basicamente um sistema de exploração do solo com especialização em um só produto; método convencional utilizado na agricultura, que tem como principal foco a produção em massa, deixando em segundo plano a qualidade nutricional dos alimentos e a conservação do meio ambiente.

Veja as diferenças e características desses 2 meios de produção agrícola:

 

 

E então, você também está convencido de que as agroflorestas e a produção natural de alimentos são muito melhores para nós, para os animais e para todo o planeta do que a monocultura? Se sim, faça parte desse movimento! Sempre que puder, compre alimentos orgânicos de produtores locais, utilize o lixo orgânico como adubo para sua horta e ao contratar serviços de poda, lembre-se da High Garden, pois por aqui os resíduos de poda são utilizados como adubos em agroflorestas da região!